sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Conversando com as paredes (5)

Cada edifício é um idioma novo a ser aprendido; e cada parede, por sua vez, pode falar um dialeto.

O que se espera de uma edificação do segundo quartel do século XIX no Vale do Paraíba?

Que as técnicas construtivas sejam em taipa de pilão e taipa-de-mão, ou pau-a-pique como os caipiras preferem.
Ser caipira nesta região é um orgulho!
A conotação pejorativa é perniciosa e fica por conta da ignorância.

Embora eu seja paulistano, tenho minhas raízes nessa gente caipira. O que para mim é motivo de orgulho. E que me faz sentir, pelos três anos que lá freqüentei, um pouco luisense.

Então, vejamos a planta baixa:
Ops, que dialeto é este?
Parede em pau-a-pique nesta espessura?
Não.

Conversando com ela, revelou ser a sua técnica construtiva em taipa de pilão.


Revelou também um cano de água inutilizado descendo em prumo.

Constatamos a existência de testemunho de vergas, indicando provável existência de vãos.

Se a técnica construtiva é em taipa de pilão...
Então, o que estaria fazendo esta parede em taipa de pilão (em cinza) no meio da casa? Uma função estrutural?
Êpa! A conversa vai ter que se alongar....
Mas antes, mais um comentário:
Além de um ser um bom conversador, o restaurador tem que ter muita paciência, porque às vezes o dialeto pode ser um pouco complicado de ser decifrado.
Um bom conversador é aquele que antes de mais nada é um bom escutador.
Encontrei gente que lida com restauro e não tem esse tipo de qualidade. Os resultados por muitas vezes tornam-se funestos aos monumentos que são alvo de conservação ou restauro.
Clientes, em geral, são péssimos conversadores porque são impacientes e ansiosos demais.

4 comentários:

Ramalho Lessa disse...

Paulo Sérgio, acabei de chegar e já gostei desta forma sua de dialogar com as intervenções. Os documentos sobre restauro são um tanto herméticos, pela simples razão de que estes monumentos são obras únicas e, como qualquer edifício afinal, dinâmicas, no sentidos de que receberam sistematicamente acréscimos visando adequá-los às necessidades de cada momento. Considerando a idade destas edificações, imagine a quantidade de surpresas com que se pode deparar. Excelente apresentação. Se eu já acompanhava o blog, agora estarei sentado na primeira fila. Parabéns.

Sylvia disse...

Eu não sou arquiteta, mas entendendo um pouco de restauro de outra forma. Sou caipira, ou melhor, nasci e vivi pouco tempo na roça, agora que vivo na cidade é muito bom observar e estudar estas construções antigas porque é uma forma de restaurar meu passado. Também morei em casa de pau-a-pique. Era assim que meus avos falavam...que saudades da minha infância. Parabéns pelo belo trabalho.....

VERT disse...

Paulo, os seus posts são uma um espanto, assim como o seu empenho. Conte comigo para seguir o seu blog! É sempre bom ver esta "comunidade" crescer.
Parabéns!

Cristina disse...

Cheguei das férias, q por sinal foram maravilhosas, águas cristalinas,em Bonito Ms.(lá me imprencionou uma agência Ar de viagen q é 24h.

Bom, o importante é q agora estou d volta, e poderei acompanhar sempre seu blog!
O conteudo é fantástico!
Parabéns