sábado, 17 de outubro de 2009
Como uma amiga vê o CEPA
O olhar de uma outra pessoa é muito peculiar
minha 1ª visão do CEPA - Abril 2007
Foi assim que a Maria Elisa nos viu, quando ainda estávamos construindo o primeiro módulo de hospedagem.
Obrigado querida!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Fazer Ciência
O que é fazer ciência?
"Elizabeth Blackburn, Jack Szostak e Carol Greider ganharam o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 3 milhões, aproximadamente). Carol Greider, de 48 anos, afirmou que o reconhecimento destacou o valor das descobertas movidas por pura curiosidade.
“Não tínhamos idéia, quando começamos, que este trabalho seria envolvido com o câncer, mas havia simplesmente uma curiosidade de saber como os cromossomos se mantinham intactos”, afirmou ela em comunicado. E prosseguiu: "Nossa abordagem mostra que, ao mesmo tempo que você pode fazer uma pesquisa para responder uma pergunta específica, você também pode simplesmente seguir seu instinto“."
Fonte: Jornal do Brasil
Fazer ciência é isso: Curiosidade-Instinto-Curiosidade-Instinto
Por falar em curiosidade, vejam que fato curioso:
Em 2004 Elizabeth Blackburn foi demitida do Conselho de Bioética durante o governo do ex-presidente dos EUA George W. Bush por suas críticas à política do governo americano em relação às pesquisas com células-tronco embrionárias.
Certos "reveses" na vida podem significar o contrário.
Mas. não é mesmo um mundo muito curioso?!
"Elizabeth Blackburn, Jack Szostak e Carol Greider ganharam o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 3 milhões, aproximadamente). Carol Greider, de 48 anos, afirmou que o reconhecimento destacou o valor das descobertas movidas por pura curiosidade.
“Não tínhamos idéia, quando começamos, que este trabalho seria envolvido com o câncer, mas havia simplesmente uma curiosidade de saber como os cromossomos se mantinham intactos”, afirmou ela em comunicado. E prosseguiu: "Nossa abordagem mostra que, ao mesmo tempo que você pode fazer uma pesquisa para responder uma pergunta específica, você também pode simplesmente seguir seu instinto“."
Fonte: Jornal do Brasil
Fazer ciência é isso: Curiosidade-Instinto-Curiosidade-Instinto
Por falar em curiosidade, vejam que fato curioso:
Em 2004 Elizabeth Blackburn foi demitida do Conselho de Bioética durante o governo do ex-presidente dos EUA George W. Bush por suas críticas à política do governo americano em relação às pesquisas com células-tronco embrionárias.
Certos "reveses" na vida podem significar o contrário.
Mas. não é mesmo um mundo muito curioso?!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
2003 - Caminho do mar - Itanhaém a São Paulo
Em 2003, durante o curso de pós-graduação em Arquitetura em Terra na FAUUSP, participei da caminhada de Itanhaém a São Paulo a pé.
Desde a aldeia do Rio Branco - onde chegamos de ônibus, até a estação Eng. Evangelista.
Nosso caminho foi mais ou menos esseDas pessoas que conheci nessa caminhada, de quem mais me lembro é do jovem cacique Paulo da aldeia do Rio Branco.
Nós e o cacique PauloO Prof. Sylvio Sawaya também estava lá! Inseparável de sua pasta!
Iniciamos a nossa caminhada`por volta de 10h da manhã. Logo de cara duas travessias por rios que batiam acima da cintura.
Lembro-me dos dois jovens índios que sumiam e apareciam com muitas surpresas, mostrando-nos como obter cordas das cascas de árvores. Eles providenciavam pontes para facilitar a passagem das moças que nos acompanhavam. Uma gentileza impressionante!
Eles nos acompanharam até a tríplice divisa Itanhaém, São Vicente e São Paulo, um lugar inimaginável. Dali eles não poderiam passar.

Uma porção de gente participou desse passeio-aventura.
O Prof. Ubirajara Giglioli estava lá, também. Ele deu uma canelada numa rocha!
E que canelada!
Só mesmo o google para ajudar a gente a se localizar!
Esse lugar foi o mais maravilhoso momento do passeio. O encontro dos dois rios e marco das três fronteiras municipais:Itanhaém, São Vicente e São Paulo.
Parada para alimentação e contemplação principalmente.
Mas, também foi o momento da despedida de nossos acompanhantes jovens índios que jamais esquecerei.
Quase no final da caminhada pela floresta da Serra do Mar um tanque refrescante, anúncio da etapa mais íngreme.
A parte final do percurso, já escurecia bastante, foi esta a imagem que ficou em minha memória. Do alto da serra víamos as luzes da cidade de Itanhaém lá embaixo.
Após 10 horas de caminhada chegamos ao destino final exaustos e ensopados.
Mas, realizados!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Ladrões do futuro
Desde 1987, o relatório "Nosso Futuro Comum", também conhecido como o Relatório Brundtland - Gro Harlem Brundtland, 1a. Ministra da Noruega que presidiu a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - apontou a falência do sistema produtivo baseado em fontes de recursos naturais não renováveis.
Hoje essa informação é de conhecimento geral - ou pelo menos deveria ser!
Essa sensação incômoda de sermos larápios do futuro - ou seja, quanto maior a nossa riqueza material for forjada sobre matrizes não renováveis, maior será a pobreza no futuro - permeia meus pensamentos.
Esse pensamento banal, talvez soe catastrófico demais, pois, afinal, o desenvolvimento científico e tecnológico vai nos safar de tal mórbido destino...
Até quando vamos insistir nesse equívoco?
Se o recurso é não renovável, é óbvio: gastou, acabou!
O discurso está pronto e os países iniciam ações, mesmo sem a massa crítica de conhecimentos necessários para uma atuação mais eficiente porque alguma coisa precisa ser feita. E, urge!
Mas, e a prática?
Prossegue o diálogo internacional sobre gestão econômica global, mas as distâncias dos níveis de desenvolvimento entre as nações, às vezes, pode-se medir em anos-luz...
A educação, por exemplo - conheço um pouco o modelo brasileiro, mas, acredito que na maioria dos outros países seja da mesma forma - ainda orientada por modelo arcáico e defasado com as necessidades que surgiram.
Para ilustrarmos o estado das coisas, até lei sancionada pelo governador José Serra, em 11 de setembro, proibindo o uso de celular dentro da sala de aula foi criada. É, ou não é o atestado da própria falência da educação? O lugar da educação não controla de per si a referida educação, oras!
O acesso à informação foi um grande avanço, mas o ensino - em todas as instâncias, sem excessões - no entanto, continua a aprovar a incompetência. Assim, dificilmente criaremos a necessária massa crítica para alcançarmos os avanços propostos naquele relatório.
Por incrível que pareça, já flagrei conversa em meio universitário de que sustentabilidade já é tema ultrapassado, que já não envolve interesse com há 3 anos atrás. Já não temos o que aprender de novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Como diria meu inesquecível Prof. Dr. Victor de Mello - um dos melhores dos que tive a honra de merecer aulas, e cada aula ele transformava numa viagem maravilhosa a desvendarmos os conhecimentos tão importantes de Mecânica dos Solos - : "Somos sábios, já sabemos tudo, já pensamos tudo, não precisamos mais pensar, pois!!!!"
A democratização, então, nem se fale, temos muito de discurso e pouco de prática.
Num seminário de Planejamento Urbano - que ocorreu graças aos esforços daqueles que estão preocupados - em que participei como palestrante na semana passada, uma pergunta ecoou retumbante:
- É correto uma área central da cidade abrigar projeto de habitação popular?
O mais provável, é que, ainda não nos enxerguemos como o título deste artigo propõe.
Se respondermos essas questões, como devemos, talvez, tenhamos alguma chance de futuro...
Hoje essa informação é de conhecimento geral - ou pelo menos deveria ser!
Essa sensação incômoda de sermos larápios do futuro - ou seja, quanto maior a nossa riqueza material for forjada sobre matrizes não renováveis, maior será a pobreza no futuro - permeia meus pensamentos.
Esse pensamento banal, talvez soe catastrófico demais, pois, afinal, o desenvolvimento científico e tecnológico vai nos safar de tal mórbido destino...
Até quando vamos insistir nesse equívoco?
Se o recurso é não renovável, é óbvio: gastou, acabou!
O discurso está pronto e os países iniciam ações, mesmo sem a massa crítica de conhecimentos necessários para uma atuação mais eficiente porque alguma coisa precisa ser feita. E, urge!
Mas, e a prática?
Prossegue o diálogo internacional sobre gestão econômica global, mas as distâncias dos níveis de desenvolvimento entre as nações, às vezes, pode-se medir em anos-luz...
A educação, por exemplo - conheço um pouco o modelo brasileiro, mas, acredito que na maioria dos outros países seja da mesma forma - ainda orientada por modelo arcáico e defasado com as necessidades que surgiram.
Para ilustrarmos o estado das coisas, até lei sancionada pelo governador José Serra, em 11 de setembro, proibindo o uso de celular dentro da sala de aula foi criada. É, ou não é o atestado da própria falência da educação? O lugar da educação não controla de per si a referida educação, oras!
O acesso à informação foi um grande avanço, mas o ensino - em todas as instâncias, sem excessões - no entanto, continua a aprovar a incompetência. Assim, dificilmente criaremos a necessária massa crítica para alcançarmos os avanços propostos naquele relatório.
Por incrível que pareça, já flagrei conversa em meio universitário de que sustentabilidade já é tema ultrapassado, que já não envolve interesse com há 3 anos atrás. Já não temos o que aprender de novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Como diria meu inesquecível Prof. Dr. Victor de Mello - um dos melhores dos que tive a honra de merecer aulas, e cada aula ele transformava numa viagem maravilhosa a desvendarmos os conhecimentos tão importantes de Mecânica dos Solos - : "Somos sábios, já sabemos tudo, já pensamos tudo, não precisamos mais pensar, pois!!!!"
A democratização, então, nem se fale, temos muito de discurso e pouco de prática.
Num seminário de Planejamento Urbano - que ocorreu graças aos esforços daqueles que estão preocupados - em que participei como palestrante na semana passada, uma pergunta ecoou retumbante:
- É correto uma área central da cidade abrigar projeto de habitação popular?
O mais provável, é que, ainda não nos enxerguemos como o título deste artigo propõe.
Se respondermos essas questões, como devemos, talvez, tenhamos alguma chance de futuro...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Ainda sobre a doença de Chagas - Mito e Realidade
Por mais que façamos, o resultado será no máximo a minimização de casos.
Infestação é resultado de desequilíbrio ambiental.
O que o texto anterior sugere como medidas preventivas, então?
Do ponto de vista da construção
Construção sem frestas e esconderijos, independentemente do material utilizado e da técnica construtiva.
Ambientes bem ventilados.
Boa insolação durante o dia.
Do ponto de vista da educação sanitária
Asseio.
Casa limpa.
Casa conservada.
Banho antes de dormir. Inclusive cabeça.
Plantas durante a noite não devem estar em compartimentos da casa em que se repouse.
Do ponto de vista ecológico
Deixar o habitat do inseto permanecer distante do habitat do ser humano e monitorá-lo.
Manter estoques estratégicos de seus predadores nativos naturais, para quando houver desequilíbrio. (Uma ação muito drástica, mas, talvez menos pior do que lançarmos inseticidas no ambiente)
Inicialmente essas seriam medidas mínimas.
Infestação é resultado de desequilíbrio ambiental.
O que o texto anterior sugere como medidas preventivas, então?
Do ponto de vista da construção
Construção sem frestas e esconderijos, independentemente do material utilizado e da técnica construtiva.
Ambientes bem ventilados.
Boa insolação durante o dia.
Do ponto de vista da educação sanitária
Asseio.
Casa limpa.
Casa conservada.
Banho antes de dormir. Inclusive cabeça.
Plantas durante a noite não devem estar em compartimentos da casa em que se repouse.
Do ponto de vista ecológico
Deixar o habitat do inseto permanecer distante do habitat do ser humano e monitorá-lo.
Manter estoques estratégicos de seus predadores nativos naturais, para quando houver desequilíbrio. (Uma ação muito drástica, mas, talvez menos pior do que lançarmos inseticidas no ambiente)
Inicialmente essas seriam medidas mínimas.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
II Seminário de Planejamento Urbano: Habitação e Sustentabilidade Urbana
Olá pessoal de Santa Catarina,
A todos vocês que com muito carinho me acolheram, a minha eterna gratidão.
Agradeço pela honra de participar de um encontro de organização primorosa, onde nós palestrantes tivemos o apoio e conforto necessários para bem desempenharmos nossa função.
Ao público participante e interessado em desenvolver conhecimentos universais e disponibilizá-los aos futuros pesquisadores e técnicos que através deles possam desenvolver suas intervenções com mais propriedade.
O tema da sustentabilidade é recente, e, como afirmei em nosso encontro, ainda carece de uma massa crítica de intelectos e de conhecimentos para que sejamos capazes de gerar tecnologias aplicáveis com um mínimo de segurança, e que estamos a contribuir para que venham à tona.
Saio culturalmente muito enriquecido deste encontro em que pude compartilhar e me reencontrar com pesquisadores que desenvolvem trabalhos de tão alto gabarito como os apresentados no profícuo evento.
Felizes os que tiveram imensas dificuldades de exercer o simples e inerente direito de cidadão num passado não tão distante e, hoje podem livremente expressar e contribuir para a melhoria do nosso abrigo comum (inclusive para aqueles que nos quiseram impedir).
Imensamente grato ao IAB, CREA, e UNESC e aos companheiros dessa jornada...
A todos vocês que com muito carinho me acolheram, a minha eterna gratidão.
Agradeço pela honra de participar de um encontro de organização primorosa, onde nós palestrantes tivemos o apoio e conforto necessários para bem desempenharmos nossa função.
Ao público participante e interessado em desenvolver conhecimentos universais e disponibilizá-los aos futuros pesquisadores e técnicos que através deles possam desenvolver suas intervenções com mais propriedade.
O tema da sustentabilidade é recente, e, como afirmei em nosso encontro, ainda carece de uma massa crítica de intelectos e de conhecimentos para que sejamos capazes de gerar tecnologias aplicáveis com um mínimo de segurança, e que estamos a contribuir para que venham à tona.
Saio culturalmente muito enriquecido deste encontro em que pude compartilhar e me reencontrar com pesquisadores que desenvolvem trabalhos de tão alto gabarito como os apresentados no profícuo evento.
Felizes os que tiveram imensas dificuldades de exercer o simples e inerente direito de cidadão num passado não tão distante e, hoje podem livremente expressar e contribuir para a melhoria do nosso abrigo comum (inclusive para aqueles que nos quiseram impedir).
Imensamente grato ao IAB, CREA, e UNESC e aos companheiros dessa jornada...
Doença de Chagas – As taipas: Mito e Realidade
Fonte: www.focasdomeubrasil.blogspot.com.
Que se auto-intitula: informação com qualidade
Existem mais de 130 espécies de Triatomíneos (que podem portar os parasitas que desenvolvem a doenças de Chagas, como o Trypanossoma Cruzi, por exemplo, lançando-os no ambiente quando defeca, após a alimentação).
O inseto, que faz parte da biodiversidade, é hematófago. Nasce isento de contaminação, ainda que seus ascendentes o sejam. E, podem-se contaminar ao se alimentarem de sangue de vertebrados contaminados.
Se não houvesse sangue contaminado, não haveria a doença.
Suas fezes servem, ainda, para demarcar território e atrair outras espécies cujo contato resultará em vantagens para todas.
Não é preciso ser entomólogo para se saber o comportamento de todos os insetos: como todos os seres vivos a satisfação da necessidade de alimento e abrigo são essencias para sobrevivência.
Que se auto-intitula: informação com qualidade
Existem mais de 130 espécies de Triatomíneos (que podem portar os parasitas que desenvolvem a doenças de Chagas, como o Trypanossoma Cruzi, por exemplo, lançando-os no ambiente quando defeca, após a alimentação).
O inseto, que faz parte da biodiversidade, é hematófago. Nasce isento de contaminação, ainda que seus ascendentes o sejam. E, podem-se contaminar ao se alimentarem de sangue de vertebrados contaminados.
Se não houvesse sangue contaminado, não haveria a doença.
Suas fezes servem, ainda, para demarcar território e atrair outras espécies cujo contato resultará em vantagens para todas.
Não é preciso ser entomólogo para se saber o comportamento de todos os insetos: como todos os seres vivos a satisfação da necessidade de alimento e abrigo são essencias para sobrevivência.
Inseto visível é uma possível presa de seu predador, se este existir.
Na natureza a camuflagem é, no mínimo, instintiva em todos os animais.
A luz é o inimigo dessa “invisibilidade”, portanto qualquer fresta pode se constituir num abrigo.
O comportamento do inseto:
O calor do corpo humano, a emissão de CO2 que exalamos no ambiente ao respirarmos, e os odores emitidos de nossa pele servem de orientação ao inseto para encontrar alimento.
Erro de foco:
São inúmeros municípios que estão utilizando o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH, do Governo Federal com o objetivo de substituir as casas de taipa e erradicar o barbeiro.
Entretanto, apesar de louvar-se o trabalho das prefeituras que através desse programa que proporciona casa mais digna ás suas populações, há erro grosseiro no enfoque da questão.
Eliminar as precárias edificações em pau-a-pique (que não representam a técnica construtiva da Arquitetura em terra a que nos propomos fazer, e que fazemos, como o resto do mundo desenvolvido que investe muito no domínio desse conhecimento – não fazemos o que chamamos hotel de peçonhas – nem nessa e nem com quaisquer técnicas construtivas que dominamos, ou com quaisquer materiais construtivos que empregamos).
Na natureza a camuflagem é, no mínimo, instintiva em todos os animais.
A luz é o inimigo dessa “invisibilidade”, portanto qualquer fresta pode se constituir num abrigo.
O comportamento do inseto:
O calor do corpo humano, a emissão de CO2 que exalamos no ambiente ao respirarmos, e os odores emitidos de nossa pele servem de orientação ao inseto para encontrar alimento.
Erro de foco:
São inúmeros municípios que estão utilizando o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH, do Governo Federal com o objetivo de substituir as casas de taipa e erradicar o barbeiro.
Entretanto, apesar de louvar-se o trabalho das prefeituras que através desse programa que proporciona casa mais digna ás suas populações, há erro grosseiro no enfoque da questão.
Eliminar as precárias edificações em pau-a-pique (que não representam a técnica construtiva da Arquitetura em terra a que nos propomos fazer, e que fazemos, como o resto do mundo desenvolvido que investe muito no domínio desse conhecimento – não fazemos o que chamamos hotel de peçonhas – nem nessa e nem com quaisquer técnicas construtivas que dominamos, ou com quaisquer materiais construtivos que empregamos).

Escola de Artes Plásticas de Oaxaca - México
Arq. Maurício Rocha
Essa ação de demolição do casebre é muito mais fácil e proporciona enorme visibilidade. Pior, pensa-se que se está atuando corretamente.
Essa ação é simplória. Ao invés da necessária e eficaz educação sanitária.
Não é a técnica construtiva em taipa de mão (aquela que feita em sua integra proporcionará abrigo seguro), ou o material terra utilizado na edificação que implicam na infestação e instalação dos triatomíneos. São as frestas – o que chamo hotel de peçonhas - e a alimentação disponíveis, independentemente do material e técnicas construtivas.
Falsa segurança:
Casas de alvenarias de tijolos cerâmicos, blocos de concreto, plástico, aço ou mesmo concreto armado, ainda que erigidas com boas técnicas construtuivas, podem proporcionar condições de infestação para inseto tão oportunista. A proximidade com ambientes infestados e ambientes de repouso abafados e com número de pessoas excessivo são condições de alto risco.
Como engenheiro de segurança, sei que um acidente só ocorre se tivermos dois elementos que o compõem: a condição insegura e o ato inseguro.
Sei ainda que medidas preventivas gerais são mais necessárias, menos dispendiosas e muito mais eficientes do que as de proteção individual.
As pessoas podem pensar que uma casa pelo simples fato de ser construída com alvenaria basta para ser segura, colocando em maior risco uma determinada população.
Bota abaixo:
“Uma campanha para esclarecer à população sobre a doença de Chagas e o transmissor, o barbeiro (Trypanosoma cruzi), um protozoário parasita, está sendo feita por técnicos da Secretaria da Saúde do Estado e da Fundação Fiocruz, órgão do Ministério da Saúde na Região do Cariri. O mesmo trabalho foi desenvolvido em municípios do Sertão dos Inhamuns. Foram visitadas residências da zona rural e sede das cidades para identificar possíveis transmissores da doença cujo nome foi dado por seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas.
Na proposta de trabalho, a pesquisa tem como meta estudar e identificar as possíveis espécies de palmeiras buriti, macaúba, carolé, coco babaçu, plantas que possam ter possíveis associações com o barbeiro, principalmente a palmeira. O trabalho dos técnicos começou pelo Sertão dos Inhamuns, no fim de semana passado, em parceria com a Prefeitura de Tauá. No município, foi instalada a área piloto no distrito de Carrapateiras, região norte da cidade. O projeto envolve também Crateús, Quiterianópolis, Independência, Novo Oriente, Parambu e Aiuaba.” (sic)
O que faremos se uma espécie nativa tiver associação com o barbeiro?
Temo que o mesmo que ocorreu em São Paulo no século XIX – documentado pelo fotógrafo carioca Militão – possa ocorrer a essa(s) espécie(s).
Infestações como as que ocorrem em Salvador, Santa Filomena, Lagarto, Cáceres, Corumbá e Ladário, por exemplos, têm causas outras que não a técnica construtiva com terra, tais como: o imenso desmatamento ocorrido que promoveu a eliminação de habitats e espécies, e outras intervenções que aceleram os desequilíbrios ambientais e, evidentemente, as habitações precárias – sejam quais forem suas técnicas construtivas.
A ignorância é um grande mal que deve ser combatido, mas, por incrível que pareça, há coisa pior ainda!
Pior do que o não saber, é se pensar que sabe.
Louve-se o trabalho realizado pelo Laboratório de Triatomíneos da Fiocruz que promove a ciência (o conhecimento) que envolve esse terrível problema.
É indiscutível que esse problema de saúde pública tem que ser incessantemente combatido.
Talvez, através do conhecimento, com ele outros tantos males como: dengue, febre amarela, ébola, etc., deixem, efetivamente, de ser problemas gravíssimos que assolam a humanidade toda.
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