terça-feira, 20 de abril de 2010

Horizonte Desolador...

É muito triste ver a tragédia anunciada se instalar...

Será que esse desastre vai se consumar!!!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

De volta à Casa onde nasceu o Dr. Oswaldo Cruz

Depois de algum tempo voltamos aos estudos sobre a Casa onde nasceu o Dr. Oswaldo Cruz.

Algumas marcas estão visíveis na empena - que não é a original do edifício - resultaram de inúmeras intervenções que nele ocorreram.
Tais acréscimos que deveriam ser eliminados, porque alteraram a geometria da cobertura e sobrecarregam as taipas de pilão desnecessariamente.

Toda essa parte assinalada em laranja foi acrescida quando se alterou a geometria da cobertura. Tijolos cozidos assentados sobre a taipa de pilão (criou-se um oitão irregular desnecessário)

A parte em laranja prossegue até o final, alterando a geometria da cobertura. A parte assinalada em azul é de outro período, quando houve a incorporação da cozinha ao programa do edifício. Houve, nessa ocasião, a segunda, ou terceira necessidade de alteração da geometria da cobertura.

A geometria de uma cobertura é elemento de fundamental importância para a conservação de um edifício - os de técnicas construtivas com terra são mais delicadas porque se submetidas a tensões que não as axiais, são suscetíveis a sofrerem colapso.

Outra função da cobertura é a proteção à patologia da umidade descendente. Verificamos que a parede está exposta a essa patologia e que o revestimento externo não apresenta mais integridade e que portanto não cumpre mais a sua função adequadamente.

Dedicado aos meus amigos que residem em São Luiz do Paraitinga que, muito mais que nós, sentiram a perda de grande parte daquele maravilhoso patrimônio que não existe mais, infelizmente!
Então, vamos proteger o que restou, antes que tudo se perca!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ignorância sobre as taipas - São Luiz do Paraitinga

IGNORÂNCIA

Mal que aflige a humanidade. Talvez o maior dos males...

(está movendo o mundo..., só não sabemos para onde..., mas, fazemos uma idéia...)
Assim, ocupamos espaços que não deveríamos ocupar, tais como: as várzeas e os cones de deslisamento, etc..
Por conta de nossa ignorância fazemos inúmeras besteiras e nos submetemos aos efeitos, muitas vezes, catastróficos que resultam em: motes de piadas quando o dano é pequeno, vide as videos cacetadas, e quando de grandes proporções, motivo de noticiários das emissoras de radiodifusão - (que em nossa sociedade de espetáculos fatura bem nesses eventos!).
Informar mal é perpetuar a indesejada ignorância.
Vai demorar, se é que em algum lugar ocorrerá, para vermos o que aconteceu realmente em São Luiz do Paraitinga.
Entretanto, antes de comentar os noticiários, consigo fazer uma justiça para com a imprensa:
Quando se noticiou que o pessoal do rafting foi herói no episódio, é verdade inconteste.
Não fossem esses heróis, talvez estivéssemos contando algumas perdas de vidas preciosas.
Concordo: eles foram heróis.
Porém, ouvi na sexta-feira dia 08 de janeiro quando lá estive, de quem jamais deveria ter feito, a afirmação de que a cidade estava destruída porque erigida com terra. (Para os mais ignorantes ainda, barro!)
Só para registro um pouco mais correto, vi nos escombros muita taipa, sim. Mas, também vi muitos tijolos, blocos cerâmicos, concreto e blocos de cimento. O desastre foi imenso!
Da biblioteca pública é lastimável a perda do acervo, em grande parte proveniente das doações do Prof. Aziz Nacib Ab'Saber. Menos lastimável foi a perda da edificação que não resistiu e ruiu. Esse prédio não tinha a ver com o patrimônio da cidade, nem na forma, única na praça fora do alinhamento do terreno, e nem dos materiais e técnicas construtivas: da estrutura em concreto, às paredes em tijolos comuns e tijolo baiano.
Registre-se para o futuro:
A imagem de N. S. das Mercês, em terracota, por exemplo, quebrou devido a choques, mas não derreteu com o longo contato com a água, como a ignorância talvez esperasse. A restauração dessa preciosa peça manterá sua autenticidade com relativa facilidade, graças ao bom trabalho de seu criador.


Existem Taipas e taipas:
As taipas com diversos traços para estabilização do solo foram submetidas a muitos e diversos ensaios no CEPA, como parcialmente mostram as poucas fotos abaixo:
Teste de ruptura de corpo de prova

O que interessa mais neste artigo foi o teste de imersão em água:
Algumas amostras realmente dissolveram-se...


Algumas apesar de muito úmidas, mantiveram a forma...
Outras, como essa abaixo, eleita para traço em nossas edificações no CEPA, apesar das 48 horas de imersão, ao final desse período ficou assim:


Algumas paredes do módulo iniciado em 2003 e que só agora concluímos, foram ao longo desse período submetidas às muitas chuvas sem proteção alguma.
Lá no CEPA nós ensinamos em cursos como fizemos!

SERÁ:
Será que a ignorância, que queimou gente inocente na fogueira, vai conseguir queimar também a taipa como material construtivo?
Será que teremos o mesmo espaço para divulgarmos o nosso trabalho?
(Não alimento esperança alguma, infelizmente)
Será que o resto do mundo onde se faz pesquisa dessa técnica construtiva, e, onde normas técnicas foram criadas, está errado?
Será que sempre será preciso perdermos muito para nos procuparmos um pouco com o nosso patrimônio cultural?
Será?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Modelo vencido

O que não se fizer por bem (ou como dizem hoje: de boa!), a natureza dá o destino...
E, não é revanche ou vingança, que são valores criados pelas ilações humanas.
É a natureza que incompreendemos e que consequentemente mistificamos.
Trato aqui do modelo de urbanização vencido.
Se habitar significa abrigo, proteção, então o sistema urbano vigente não cumpre sua primordial finalidade.
Sob diversos aspectos que o analisemos, vemos exatamente o contrário.
Especificando-se apenas um dos aspectos das possíveis análises: assistimos seguidas enchentes nos nossos centros urbanos.
Por que só pensamos em adiar as catástrofes anunciadas?
Criamos artifícios para esticar situações insustentáveis, por exemplo, em São Paulo os piscinões enterram uma montanha de recursos sabendo-se previamente que não é solução. É admirável, ou não é? Enquanto isso não gastamos um centavo no que tem que ser feito.
Enquanto mantivermos o sistema de utilização dos rios como condutores dos esgotos urbanos, alimentaremos a insustentabilidade da urbe. Uma urbe que não atende sua função.
Patrimônio material falido é o que esticamos. A idéia absurda é que a sujeira que não é vista não existe. Somos e nos reduzimos a avestruzes.
Pergunta a responder: Queremos continuar a ser avestruzes? (estes que me perdoem!)
Ao defendermos a posição de que, nesse aspecto, os nossos rios precisam emergir do subterrâneos e cumprir sua função de rio, apenas – o que não é pouco.
Um rio tem que ser um meio de vida e não de morte.
Essa posição, de que não arredo pé nunca, é tida, por uma imprensa comprometida com esse modelo vencido, como uma posição romântica.
Eu considero a posição dos que defendem esse modelo vencido de dramática, para não rotulá-la como de sado-masoquista.
Venceu, venceu, acabou-se!
Como trocar o pneu do carro andando? Foi a pergunta risível do repórter que entrevistou minha colega e contemporânea de estudo de urbanismo, Raquel Rolnik, de quem à distância conheço e adimiro a árdua luta para a quebra dos tais paradigmas vigentes.
Envio um recado aos que nos querem avestruzes: ou aprendemos a trocar o pneu do carro andando, ou o carro vai capotar! – Aliás, já está, infelizmente a capotar há bom tempo, se não percebemos ainda.
Vemos também o diálogo enveredar por uma questão: Verticalizar ou horizontalizar?
Verticalizar – tido como postura de abrandamento por uns – pode significar aumento da tal carga de esgoto numa rede que deveria apenas conduzir as águas pluviais.
O dilema parece difícil de ser resolvido: vertical ou horizontal? Qual é o caminho?
A pergunta é que não é a correta. Se for essa a questão, a resposta é fácil e triste de ser transmitida:
Nas condições atuais, tanto faz, ambas são péssimas. A conta virá.
O problema é o modelo de urbanização vencido.
O que vale no nosso modelo é ter, e não ser.
Quando realmente quisermos ser, as soluções serão facilmente implementadas.
Os rios serão rios, as águas servidas serão tratadas, ou pelo menos pré-tratadas antes de serem lançadas nos efluentes.
Romântico, mas plenamente realizável, por que não?
Nos dias de passeatas contra a ditadura imposta pelo golpe militar, jamais sonhei que o nosso país um dia pudesse sair das amarras do FMI, quanto mais emprestar dinheiro a ele!
E, é justamente no governo de quem disse que o caminho era um sonoro “cano” no FMI que assisto nosso país ancorar uma crise mundial. Impensável na minha juventude romântica...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E a culpa é de quem? São Pedro!

Apesar de termos tido o ano mais chuvoso da nossa recente história, temos um início de ano com chuvas mais intensas.
E a culpa é de quem?
Do governo, claro!
Alguns, não sem alguma razão, logo dirão: o governo é culpado de tudo.
O municipal, o estadual e o federal, são todos culpados!
E, se houvesse algum governo geral do mundo, certamente não escaparia.
Afinal, quem é o governo?
Na democracia, porque ainda não descobrimos nada melhor, é um grupo que o povo escolhe para representá-lo. Os que não escolheram arcam com o ônus junto, porque isso é democracia.
Muitas das vezes, e na maioria, salvo honrosas exceções, os escolhidos estão pouco se lixando para o povo.
Deram-se bem, graças aos que os elegeram, e a custas de todos levam seus projetos pessoais adiante. Na maioria das vezes para se darem melhor ainda!
Esperar o quê desses?
Quando o tema é festa, tudo é festa!
Ninguém precisa de governantes para festejar. Basta um motivo.
Quando o povo tem um motivo, logo os seus representantes aparecem para garantir uns dividendos...
Todo mundo quer ser o pai da criança! O mentor, o incentivador e talvez, até, o patrocinador! (Claro que os patrocinadores somos nós mesmos!)
Conclusão, todo mundo quer ser o pai da criança!
Agora, se o filho for ruim, vira órfão! Filho ruim não tem pai!
Vamos examinar o que um governante diz diante de um episódio que cada vez mais fica, infelizmente, corriqueiro: uma enchente, por exemplo.
Preâmbulo:

Recentemente Dan Robson acompanhou, na medida do que lhe foi possível, o flutuador que mediu a qualidade das águas do rio Tietê. Na trajetória verificou a quantidade de lixo despejado diretamente pela população no rio.
Logo os governantes se aproveitaram para – não sem muita razão – despejar o ônus sobre o culpado: a própria população.
Já imaginou algum dia ligar a TV nos jornais de notícia e um governante dizer:
Meu povo, estou aqui para dizer a vocês que a culpa é minha. O dinheiro dos impostos – seu dinheiro - eu encaminhei para projetos do interesse dos meus pares, e vocês dançaram!
Nem no dia 1º de abril!
Evidente que a parcela de culpa daqueles que laçam o lixo nos ribeirões - como se a água fosse a caçamba da lixeira passando para recolhê-lo - e nos nossos mananciais é grande!
Mas, será só deles? (Repito – sem diminuir o crime acima descrito)
Uma enchente pode ter várias causas:
1- a acima descrita;
2- sistemas de escoamento insuficientes;
3- ocupação de local inadequado para se habitar; e,
4- água demais.
Dentre tantas causas possíveis, essas quatro podem representar as responsáveis pela maioria das enchentes.
Continuemos:
A segunda das causas normalmente envolve duas instâncias: a privada e a pública

A iniciativa particular, no caso dos loteamentos e crescimento da nossa cidade, quase nunca se importou com isso. Uma das provas cabais disso está no próprio traçado da cidade: ruas de loteamentos lindeiros, não se alinham como deveriam. Sabemos que a cidade cresceu mercê as vontades dos especuladores imobiliários. Nada de novidade.
Quanto ao poder público e as concessionárias de serviços públicos, normalmente atendem a padrões de cálculos para uma realidade da cidade que foi projetada para carroças. Outros tempos! Diante dos novos tempos recorrem a paliativos com os piscinões.

Mais adiante trataremos dos novos tempos...
A terceira causa é a inadequação do local ocupado. Esta, obviamente, é a grande causadora das catástrofes, que há muito estão anunciadas. A população expulsa da urbe
pendura-se onde puder. A política pública é pífia diante da pressão do mercado especulativo. A urbe é somente dos incluídos e para os incluídos.
A quarta é a quantidade de água.
O aquecimento global é causa de derretimento das calotas polares e das geleiras “permanentes” que recuam. (Para azar de seus ecossistemas!)
Água demais e água de menos!
Se há água de menos em vários lugares, que acarreta muito sofrimento para os habitantes de suas cercanias, haverá água demais para outros, que pode acarretar outros tantos sofrimentos a esses. (Incluindo como habitantes toda espécie de vida)
Ao final quero enfatizar de que a importância deste relato não reside na partição das nossas culpas. Sim, temos culpa, todos nós!
Mas, relevante é o equívoco que esse pensamento causal encerra.
Melhor explicando:
Se não houvesse as causas apresentadas não teríamos as enchentes.
O equívoco reside aí. Passamos muito do tempo causal, não há como restaurar o momento passado, passou!
Se nos interessar não agravarmos mais o que está no porvir, u
rge que mudemos a forma de analisarmos os eventos.
Um modelo novo é necessário. Os que dispomos estão vencidos.
Vejo a busca do conhecimento multidisciplinar a repetir os mesmos erros, embora já signifiquem um avanço. Não basta os multi-olhares sobre os assuntos a tratar.
Temos que criar um modelo que retrate melhor o que observamos, que normalmente chamamos de ciência.
O que chamamos de final dos tempos, que apesar de inspirar muito os apocalípticos, pode bem significar, apenas, que o que valia até aqui, não vale mais, acabou-se. Serve-nos para explicar apenas parcialmente o que observamos.
O primeiro modelo “novo” que mal conheço, mas me arrisco indicar é o quântico.
Já não tratamos de eventos causais, mas de sistemas.
Novos tempos!

Como todo o final de alguma coisa é o começo de outra coisa...
Por falar em quantidade de água, penso em Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". (Idéia antiga, mas que ainda vale!)
A água é um tanto, esse tanto se transforma, e se desloca.

Num mundo esférico, como o nosso, deve girar bastante!
Água sólida se liquefaz, até aí volumetricamente a variação não é lá muito grande. Para menos, inclusive.
Daqui para diante é que os eventos me preocupam...

O ciclo da água me diz que haverá uma etapa de sua vaporização. Essa vaporização – que penso ver, aumentou muito - entendo causadora das grandes chuvas que experimentamos no momento – também pode, talvez, representar outra coisa que questiono, mesmo sem conhecer as respostas:
Se a água no estado de vapor tem uma volumetria bem maior, a camada que evapora aumenta ou não a pressão da nossa atmosfera?
Se aumenta, quanto? Haverá conseqüências se houver acúmulo de energia e, ou massa nesse novo estado – sistema? Há perda de água para fora da Terra? Saberemos medir isso? Alguém sabe?

Dedico este texto:
Aos meus alunos e aos amigos de São Luís do Paraitinga com quem me solidarizo neste momento ruim, e a quem na próxima sexta-feira levarei meu apoio e assistência.


Em tempo: São Pedro está isento de qualquer culpa no cartório.

Se houver interesse em ver as imagens tristes:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1185099-7823-PREFEITURA+DECRETA+ESTADO+DE+CALAMIDADE+PUBLICA+EM+SAO+LUIS+DO+PARAITINGA,00.html

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Começa o 2010!

Aos amigos, seus familiares e seus amigos.
Começa o 2010
Tempo de reforçarmos os laços fraternos.
Tempo de buscarmos a Paz e alegrias merecidas, se nos permitirmos.
Hora de reflexões sobre nossas vidas, que passam num átimo! De darmos um tempo!
Talvez refletirmos sobre “nosso futuro comum”.
Por que complicamos as coisas? E para quê?
E, se simplificássemos as coisas?
Por exemplo, todos pensam em Prosperidade. E, se Prosperidade não significar acumularmos coisas. Se significar exatamente o contrário: despojarmo-nos dos entulhos que acumulamos durante nossas vidas!
Simplificarmos.
Não o simplificar fácil do crítico que bate em cachorro morto, tipo: O COP15 foi um desastre porque os que mandam muito se preocupam pouco. E daí? Esperávamos outra coisa?! Ou do tipo: deixa pra lá, a tecnologia vai resolver tudo... Muito pior!
E, se significar uma ciência construída através das perguntas adequadas.
Perguntas como: O que nos dispomos a fazer para sobrevivermos como espécie hegemônica no planeta? Quantos seremos? Por quanto tempo? Com que qualidade de vida?
Simplificar sem ser simplista, é difícil, mas tem suas recompensas.
E, se agíssemos como zeladores?
Até quando os homens verão seu semelhante sucumbir por suas ações, ou omissões, sem sentir vergonha? E nos rotulamos humanidade!
Permito-me a pergunta crucial: Você é feliz com o que faz?
Se for, ótimo! Você alcançou uma dádiva. Continue...Se não for, mude. Sempre haverá tempo para ser feliz.
E, se você pensa que sua felicidade depende de alguém que não seja você mesmo, está equivocado.
E, se...Bom, daqui em diante isso é com você...
Desejo que cada um seja feliz ao seu modo.
Que experimente muito e que os erros lhe doam pouco. Mas, que através deles possam melhorar e aprender o suficiente para não repeti-los. E, que os acertos lhes dêem muito prazer e motivação para muitos outros.
Que nunca percam o senso crítico.
E, que valorizem e desfrutem da vida o que de melhor ela te proporcionar.
Abraços Arq. Paulo Ortiz

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 - Reflexões : 01 O Fim do Mundo (um texto em construção)

Começou 2010!

E, chove!

Evidentemente, o ano começou muito bem para alguns, mas muito mal para aquela parcela da população que sempre é a primeira a ser chamada quando a fatura é resgatada.

Refiro-me à queles que não tendo melhor sítio para morar, vão parar nas encostas, equilibrando-se em "cordas-bambas".

Somente no Rio - o maravilhoso Rio de Janeiro - contam-se as vítimas às dezenas...

Mas, o que tem esse fato com o tema: "O Fim do Mundo"?

Poderia ser interpretado como o lugar onde essas populações menos favorecidas vão morar: no fim do mundo!

Seria uma boa interpretação, porque, afinal, eles moram mesmo lá!

E, para essas dezenas de pessoas, foi, realmente, o "Fim do Mundo". Foram-se dele... Idiota e bestamente!

O "Fim do Mundo", que alguns esperam para 21 de dezembro de 2012, é sobre o qual reflito:

No passado, o fim do mundo ocorreria em 19 de maio de 1910. Foi quando o cometa Halley passou próximo da terra e enriqueceu charlatães com a venda de máscaras de gás, garrafas de oxigênio e até comprimidos milagrosos. Situação risível para nós que já temos pouco mais de meio século de história astronáutica e mais de quarente anos de que humanos pisaram outro corpo celeste. Para espanto de quem ainda não acredita - pasme-se, mas tem gente que acredita que tudo não passou de uma montagem hollywoodiana...
Sou muito curioso para saber o que pensam quando um jornalista do JN passa o dedo na tela e arrasta um quadro para o centro do campo da tela de projeção, depois com dois dedos amplia a imagem e conversa ao vivo com o reporter. O que acontece todos os dias atualmente - êta filme bem feito!!! É TUDO TRUCAGEM, diriam...
A tecnologia é bonita e sedutora!

Já aguardamos O FIM DO MUNDO na virada do milênio - outros aguardaram o "bug do milênio" - no começo de 2001, e nada aconteceu, só se frustaram os vendedores de catástrofes...

Afinal, para nossa felicidade, a grande catástrofe não ocorreu!

Parêntese para uma estória curiosa:

Um mestre de obras que trabalhou comigo, não declino o nome porque não fui autorizado, mas para termos um nome, lá vai um postiço: João.

João juntou sua família no dia 31 de dezembro de 1999, data em que ele estava convencido seria o último dia. Pegou a Bíblia e no sofá da sala aguardou o Juizo Final. Aguardou lendo o livro do Apocalipse, aguardou, aguardou, e só aguardou...
Em 2005 quando juntos trabalhamos ele me segredou essa estória.

Assim estão as pessoas, todos ou pelo menos os que acreditam: Joãos.


Então, qual é o real significado dessa certeza que nos guia: "Fim do Mundo"?


Um dia vai acabar mesmo, mas está tão distante que não é esse fim do mundo a que me refiro, não tenho alcance para imaginar...

O Sol entra em colapso e expande-se e envolve a Terra, Marte, etc... Isso é fácil imaginar, porque é evento inexorável.


Difícil imaginar até quando vai haver condições de habitabilidade (abrigo à vida) em nosso planeta. Levando-se em consideração apenas as condições naturais.
A idéia do mesmo pensamento, porém no sentido inverso é que me move agora:
Quando a Terra vai perder a condição de habitabilidade?

Novo parêntese:


Há os que acreditam que antes desse evento, já haveremos de estar longe, já habitaremos outros mundos...

Talvez, mas com muita desconfiança de minha parte...

Esse pensamento me conduz a outro:

No(s) mundo(s) em que o ser humano supostamente estará, em que condições isso poderá ocorrer?

Será que vamos conseguir um planeta que abrigue uma diversidade de vida como a que temos aqui?

Atmosfera, água potável, flora e fauna...

Vou tomar emprestado um exemplo, o da nossa colonização para termos uma idéia de riscos:

O isolamento de uma parte da espécie humana, os índios que aqui estavam, foram dizimados, quando não pelos petardos (ações artificiais) , pelo simples contato com doenças que não tinham (ações naturais).

Isso ocorreu aqui na nossa Terra, no nosso planeta comum!

Ora, o mundo em que vivemos agora é nossa única realidade, os outros mundos são mera especulação. Se almejamos mundo melhor para vivermos, então façamos deste - que é o que temos - o melhor dos mundos!





A idéia de salvamento da humanidade permeia e predomina na sociedade de espetáculos!

Há quem aposte suas fixas na tecnologia. E, não são poucos os que desfilam nessas paragens.

Não será a tecnologia que vai salvar a humanidade.

O que nos salvará será o aprimoramento de nossas relações sociais:

tolerância das diferenças, preservação e culto à diversidade e à cordialidade.

Somos muitos e cada vez mais, cada vez mais diferentes...