segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Doença de Chagas – As taipas: Mito e Realidade

Fonte: www.focasdomeubrasil.blogspot.com.
Que se auto-intitula: informação com qualidade

Existem mais de 130 espécies de Triatomíneos (que podem portar os parasitas que desenvolvem a doenças de Chagas, como o Trypanossoma Cruzi, por exemplo, lançando-os no ambiente quando defeca, após a alimentação).
O inseto, que faz parte da biodiversidade, é hematófago. Nasce isento de contaminação, ainda que seus ascendentes o sejam. E, podem-se contaminar ao se alimentarem de sangue de vertebrados contaminados.
Se não houvesse sangue contaminado, não haveria a doença.
Suas fezes servem, ainda, para demarcar território e atrair outras espécies cujo contato resultará em vantagens para todas.
Não é preciso ser entomólogo para se saber o comportamento de todos os insetos: como todos os seres vivos a satisfação da necessidade de alimento e abrigo são essencias para sobrevivência.
Inseto visível é uma possível presa de seu predador, se este existir.
Na natureza a camuflagem é, no mínimo, instintiva em todos os animais.
A luz é o inimigo dessa “invisibilidade”, portanto qualquer fresta pode se constituir num abrigo.

O comportamento do inseto:
O calor do corpo humano, a emissão de CO2 que exalamos no ambiente ao respirarmos, e os odores emitidos de nossa pele servem de orientação ao inseto para encontrar alimento.

Erro de foco:
São inúmeros municípios que estão utilizando o Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH, do Governo Federal com o objetivo de substituir as casas de taipa e erradicar o barbeiro.
Entretanto, apesar de louvar-se o trabalho das prefeituras que através desse programa que proporciona casa mais digna ás suas populações, há erro grosseiro no enfoque da questão.

Eliminar as precárias edificações em pau-a-pique (que não representam a técnica construtiva da Arquitetura em terra a que nos propomos fazer, e que fazemos, como o resto do mundo desenvolvido que investe muito no domínio desse conhecimento – não fazemos o que chamamos hotel de peçonhas – nem nessa e nem com quaisquer técnicas construtivas que dominamos, ou com quaisquer materiais construtivos que empregamos).

Ex.: Arquitetura em Terra Contemporânea - em Taipa de pilão
Escola de Artes Plásticas de Oaxaca - México
Arq. Maurício Rocha

Essa ação de demolição do casebre é muito mais fácil e proporciona enorme visibilidade. Pior, pensa-se que se está atuando corretamente.
Essa ação é simplória. Ao invés da necessária e eficaz educação sanitária.
Não é a técnica construtiva em taipa de mão (aquela que feita em sua integra proporcionará abrigo seguro), ou o material terra utilizado na edificação que implicam na infestação e instalação dos triatomíneos. São as frestas – o que chamo hotel de peçonhas - e a alimentação disponíveis, independentemente do material e técnicas construtivas.

Falsa segurança:
Casas de alvenarias de tijolos cerâmicos, blocos de concreto, plástico, aço ou mesmo concreto armado, ainda que erigidas com boas técnicas construtuivas, podem proporcionar condições de infestação para inseto tão oportunista. A proximidade com ambientes infestados e ambientes de repouso abafados e com número de pessoas excessivo são condições de alto risco.
Como engenheiro de segurança, sei que um acidente só ocorre se tivermos dois elementos que o compõem: a condição insegura e o ato inseguro.
Sei ainda que medidas preventivas gerais são mais necessárias, menos dispendiosas e muito mais eficientes do que as de proteção individual.
As pessoas podem pensar que uma casa pelo simples fato de ser construída com alvenaria basta para ser segura, colocando em maior risco uma determinada população.

Bota abaixo:
“Uma campanha para esclarecer à população sobre a doença de Chagas e o transmissor, o barbeiro (Trypanosoma cruzi), um protozoário parasita, está sendo feita por técnicos da Secretaria da Saúde do Estado e da Fundação Fiocruz, órgão do Ministério da Saúde na Região do Cariri. O mesmo trabalho foi desenvolvido em municípios do Sertão dos Inhamuns. Foram visitadas residências da zona rural e sede das cidades para identificar possíveis transmissores da doença cujo nome foi dado por seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas.
Na proposta de trabalho, a pesquisa tem como meta estudar e identificar as possíveis espécies de palmeiras buriti, macaúba, carolé, coco babaçu, plantas que possam ter possíveis associações com o barbeiro, principalmente a palmeira. O trabalho dos técnicos começou pelo Sertão dos Inhamuns, no fim de semana passado, em parceria com a Prefeitura de Tauá. No município, foi instalada a área piloto no distrito de Carrapateiras, região norte da cidade. O projeto envolve também Crateús, Quiterianópolis, Independência, Novo Oriente, Parambu e Aiuaba.” (sic)

O que faremos se uma espécie nativa tiver associação com o barbeiro?
Temo que o mesmo que ocorreu em São Paulo no século XIX – documentado pelo fotógrafo carioca Militão – possa ocorrer a essa(s) espécie(s).

Infestações como as que ocorrem em Salvador, Santa Filomena, Lagarto, Cáceres, Corumbá e Ladário, por exemplos, têm causas outras que não a técnica construtiva com terra, tais como: o imenso desmatamento ocorrido que promoveu a eliminação de habitats e espécies, e outras intervenções que aceleram os desequilíbrios ambientais e, evidentemente, as habitações precárias – sejam quais forem suas técnicas construtivas.

A ignorância é um grande mal que deve ser combatido, mas, por incrível que pareça, há coisa pior ainda!
Pior do que o não saber, é se pensar que sabe.

Louve-se o trabalho realizado pelo Laboratório de Triatomíneos da Fiocruz que promove a ciência (o conhecimento) que envolve esse terrível problema.

É indiscutível que esse problema de saúde pública tem que ser incessantemente combatido.
Talvez, através do conhecimento, com ele outros tantos males como: dengue, febre amarela, ébola, etc., deixem, efetivamente, de ser problemas gravíssimos que assolam a humanidade toda.

Um comentário:

arquilianaz disse...

Parabéns, Paulo! Aprendi muito e gostei da apresentação. recentemente conheci alguém que sempre viveu em casas de alvenaria com suspeita da doença. Como se explica?